quinta-feira, 8 de abril de 2010


Hoje andei mais que notícia ruim. E dessa vez dei uma de espertinha. Coloquei um pisante confortável, jeans e camiseta, guardachuvinha na bolsa, uma listinha de lugares para ir, com seus devidos endereços e a rotas, copiada do Google Maps. Dica: o Google Maps é pior do que eu quando se trata de direita e esquerda. Tadinho. Não tem o mínimo de senso de lateralidade, portanto, não confie plenamente. Nem nele, nem em mim. Para ir para a direita eu tenho que parar e me imaginar escrevendo. Ai sim sei onde é a direita.

Bem...Voltando: hoje o dia foi proveitoso e frustrante. Proveitoso porque passeei bastante, tirei fotos, conheci lugares. Estou sentindo nas pernas o peso dos meus 33 anos (e do meu sobrepeso também). Frustrante porque não pude fazer dois passeios planejados. O Teatro Municipal está em reforma e a embarcação que leva até a Ilha Fiscal está em manutenção até o final de abril. O chato disso tudo é que antes de sair de casa, conferi sites oficiais das instituições desses patrimônios e em nenhum deles existe essa observação. Não custava nada colocar uma pop up informando a suspensão temporária desses passeios assim como fez a prefeitura de Petrópolis em seu site a respeito da casa de Santos Dumont, fechada para visitas por conta da reforma para melhorias. Assim a gente fica triste em não poder visitar dessa vez, mas não fica frustrado.

Fui ao Museu Histórico Nacional (1a foto), lindo e grande, onde se tem uma aula da importância dos Museus. Além de exposições permanentes, há também as temporárias, no caso, a de Albert Einstein. Depois dei uma passada no centro Cultural da Marinha, onde cara-de-pau que sou pedi a um lindo marinheiro para tirar foto comigo (2a foto) e contemplei embobecida a Galeota D. João VI, uma embarcação a remo construída em 1808 e utilizada pela família real em seus deslocamentos pela Baía de Guanabara (4a foto, sentido horário).

Fui a Biblioteca Nacional, maior da América Latina e sétima maior do mundo. O prédio é deslumbrante, datado de 1910 de uma magnitude que só lá dentro para se ter uma idéia.

Saindo da Biblioteca, bem ao lado, Fui ao Museu Nacional de Belas Artes, onde pela primeira vez vi autênticos Portinaris e Di Cavalcantis, entre outros. To cansada.

E com a cabeça e coração em seus devidos lugares. Inté.

Casa Rui Barbosa

Quem me conhece, sabe o quanto gosto de passeios culturais, visitas a museus, conhecer o palco de grandes atos e fatos da nossa história. Infelizmente na minha cidade praticamente não temos espaços culturais e por isso quando eu viajo, procuro fazer essas visitas. E agora que houve um dilúvio no Rio de Janeiro, esses passeios tornam-se um atrativo a mais.

Para começar, peguei bem leve, pois a cidade ta bem suja ainda, cheia de areia, árvores caídas, poças de água, então achei melhor não me arriscar indo longe e fui conferir os atrativos do bairro mesmo. Em menos de 10 minutos de caminhada, cheguei ao Museu Casa de Rui Barbosa. Em estilo neoclássico, a casa, situada no meio de um vasto jardim, foi residência de Rui e de sua família até 1923. Em 1924, um ano após sua morte, o governo comprou o prédio, inclusive a biblioteca e o arquivo de Rui. Quatro anos mais tarde, adquiriria também o mobiliário. Em 13 de agosto de 1930 o presidente Washington Luís inaugurava-a como o primeiro museu-casa do Brasil, homenageando seu antigo líder político.

O Jardim da casa é uma atração por si só. Tem mais de 9000 m² e hoje é uma das poucas áreas verdes de Botafogo, o que lhe dá importância ecológica e social. Há na parte lateral do jardim, a garagem, onde estão guardados em perfeito estado de conservação 4 carros, sendo somente um deles sem tração animal. Fiquei boba. Coisa linda mesmo.

Fui recebida pelos vigias (pois cheguei antes do horário de funcionamento), muito amáveis, em especial (pena que não tirei foto com ele, acabou a bateria da máquina) o Sr. Romão, que fez questão de me acompanhar como guia, mesmo sendo apenas vigia, mostrou-se grande conhecedor e apaixonado pela figura do Rui Barbosa, e foi me narrando fatos e mostrando curiosidades da casa. Uma graça de pessoa.

A casa foi muito bem apresentada pela atriz, Mariana Ruy Barbosa, tataraneta do Rui (Já to intima...rs) para a Angélica, no programa Estrelas. Vale dar uma olhada, para quem não assistiu. É só dar um clique aqui que voce vai direto para o vídeo.

Cobra-se uma taxa simbólica de R$ 2,00 para a visitação. Passear nos jardins, é na faixa.

Maiores informações http://www.casaruibarbosa.gov.br , site de onde foram retiradas algumas informações para esse post.

Voltarei em breve. Beijos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pós Chuva Rio, primeiro dia de férias 2010 (Kátia Bandeira)

Sai de Campo Grande na madrugada do dia 06, para fazer uma conexão em Congonhas - SP. Ao sair de lá, já tinha noticias das chuvas no Rio, mas ainda não havia sido noticiada as conseqüências catastróficas. Fiquei durante 6 horas no aeroporto de Congonhas, entre abre e fecha daquele aeroporto e o Santos Dumont, onde eu ia descer. Muita fome, frio e principalmente sono, pois já estava acordada há 30 horas. Desembarquei no Rio, tempo nublado e um leve chuviscar. Ruas sujas, muita areia e lama, pequenas poças nos lugares onde eu passei, mas tudo já se encaminhando para a normalidade. Choveu a noite toda e eu já estava desanimada pela manhã, quando por volta das 9 horas abriu um céu azul que permanece até agora (são pouco mais que uma da tarde). Como a orientação é não ir a praia, por conta da sujeira, resolvi dar uma volta aqui no bairro mesmo, Botafogo, que eu acho um charme. Fiz uma visita que há muito tempo eu queria, que era na Casa de Rui Barbosa. Como eu disse antes de sair de férias, sem amor, mas com cultura.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Bonzinho só se fode


As vezes você chora e ninguém vê suas lágrimas...
As vezes você se entristece e ninguém percebe seu abatimento...
As vezes você sorri e ninguém repara na beleza do teu sorriso...
Agora PEIDA pra ver !!!
Pois é...Mais ou menos assim. Três ano e meio de empresa, nenhuma falta injustificada, atestado somente durante a recuperação de uma cirurgia, e mesmo assim retornei antes, contrariando orientações médicas, resultados excelentes, sem atrasos, tudo certinho. Um exemplo. Alguém percebeu? Bastou eu ir de chinelo (chinelão de borracha mesmo, havaina) para todo mundo reparar em mim e me mandar depois de três horas trabalhadas de volta para casa e lançar na folha ponto falta injustificada para o restante do dia.


Obs.: não fui de propósito. Saí de casa, peguei ônibus como todos os dias e nem notei que não havia calçado sapato. Trabalho em call center. O cliente nunca iria saber que estou de chinelo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Analogia


Com tanta chuva por ai, não seria justo que não sobrasse um pouquinho para minha horta. Êba!!!

domingo, 31 de janeiro de 2010

É difícil...

Pior do que estar sozinha, é ficar doente sozinha. Não ter ninguém para pingar dipirona no copinho, ou ajeitar o travesseiro, o ventilador, fazer um cafuné...Ou quando a coisa aperta, levar ao hospital. A dor dói mais. O mal estar é mais mal ainda, se no meio da noite, após dois ou três telefonemas ter que gastar a grana da feira da semana com taxi, porque ninguém se habilitou em dar uma carona até o pronto atendimento. Meus amigos não estão nessa cidade.
Fazer a compra do mês de ônibus, três ônibus, sacolas e sacolas, paciência do motorista com o embarque e desembarque das mercadorias...rola latinha, quebra ovo, esquece o pão de forma no banco...Tudo para fazer o ticket render um pouco mais, porque no mercado perto de casa tá pela hora da morte. Os amigos? Bem...um não podia, porque a moto era da namorada, não dele. Outro não podia porque era seu horário de almoço...pleno 12:40. O outro estava com a conta negativa no banco (esse coitado achou que eu tava pedindo para ele pagar a compra...hahahaha)...Eu ia colocar combustível...
Mas isso a gente faz para amigos. E amigos...Bem...Os meus amigos e amigas não residem na mesma cidade que eu...

(Salvo Ruthinha, que foi levar e buscar a Jurema no veterinário, com a carro da mãe dela, e não aceitou gasolina. Se ela pudesse, certeza que teria feito essas correrias comigo)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cada uma que me aparece


No Ponto de ônibus:

__ Tia, me dá uma moeda (Porra, tia??? O Cara devia ter a minha idade)

__ Não tenho (e não tinha mesmo)

__ Dez centavos

__ cara, foi mal ai, mas não tenho mesmo. To dura.

__ Tia, acredita que ontem fiz aniversário, entrei numa padaria pedir um pedaço de bolo e o cara não deu? Disse que se eu pagasse 50 centavos podia comer o bolo. Povo ruim, tia?

__ É. Hoje não tá fácil pra ninguém.

__ E esse povo que rouba da gente? Dia desses fui pedir para um cara e ele tomou todas as minha muedas...

__ É??? (Essa merda de ônibus que não vem logo)

Silêncio. Viro a página do livro, ainda pensando no bolo do cara. Olho no celular pra ver a hora. Ônibus atrasado...

__ Tia, você sabe o que é bom para assadura na bunda? Se eu for no posto, eles fazem um curativo?

Percebi que o cara tava sentado de ladinho. Coitado.

__ Não vai no posto, porque lá eles vão mandar você tomar banho. Não precisa ir no posto para isso. Toma um banho, lava a bunda, seca bem e passa Hipoglós.

__Tia, me arruma um dinheiro para comprar Hipoglós?

Graças a Deus o ônibus chegou. Corria o risco dele querer me mostrar a assadura.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sempre com um livro na mão


Eu que pensava que era uma menina má, perto da protagonista sou a Madre Tereza.

Esse delicioso romande do peruano Llosa é daqueles livros que você não consegue largar. Li em duas tardes.

Ele narra a a trajetória de duas pessoas durante as décadas de 50, 60, 70 e 80. São mais de 40 anos de um amor que cresce cada vez mais (por parte dele, Ricardo, o protagonista, porque ela, meu bem, é uma Madame Bovary do século XX, biscate que só), recheado de encontro e desencontros, verdades e mentiras, violência de doçura, amor e sexo.

Um pouco cansativo ao narrar com detalhes a situação política e social do Peru, Cuba e Europa nos anos 60 e 70, mas vale a pena.

Prepare-se para amar e odiar os personagens. Ela por ser má, egoísta e ambiciosa (na verdade todos somos) e ele por ser ingênuo, apaixonado e altruísta (sim, também somos).

sábado, 16 de janeiro de 2010

Encerrando a série "Afeganistão"

Comecei com "O Caçador de Pipas". Segui por "O Livreiro de Cabul" e pra fechar estou lendo "A Cidade do Sol". O livro narra a história de duas mulheres afegãs com seus conflitos culturais, criações diferentes e destinos cruzados por meio de casamentos arranjados com o mesmo marido que as trata de modo opressivo e violento, e unem-se em busca de uma vida mais digna.
Ao contrário de "O livreiro de Cabul", que é um documentário (mas pode ser tranquilamente lido como um romance) "A Cidade do Sol" é mais uma sensacional ficcção do fantástico Khaled Hosseini. Nem por isso fica a sensação de alívio, por ser ficcção, por aquilo que estamos lendo não ser real, pois sabemos que o narrado ocorre de verdade, séculos a fio e de maneira muito mais cruel.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Desabafo

Loira, bonita, inteligente.
Atraente, culta, legal.
Bem-humorada, prendada, politicamente correta.
Boa companhia, cozinha bem, conversa sobre qualquer assunto.
Beija bem, gosta de namorar e é companheira.
Vaidosa, atenciosa...

Pra quê?

sábado, 10 de outubro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Fiquei na dúvida...

Passando em frente a uma construção, ouvi de um peão "Eita coroa ajeitada"....
Já sou coroa?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

7 de Setembro. Dia da Dependência

Três meses sem comparar nossas mãos, mesmo tamanho, mesmo formato.
Três meses sem jantares maravilhosos, luz de velas, vinho e risos...
Três meses sem olhar a minha cidade do alto, sempre envolta no seu abraço...
Três meses sem burlar a temperatura, deixando o quarto gelado, só para você me cobrir com o edredom enquanto eu fingia que dormia.
Três meses sem bagunçar sua invejável organização...
Três meses sem deitar no seu peito e ouvir a música mais linda do mundo.
Três sem me exibir com o homem mais bonito que conheço...
Três meses sem o happy hour mais divertido e bagunçado, com os pés em cima da mesa
Três meses sem você.
E pensar que é apenas o início da resto da minha vida assim...



domingo, 6 de setembro de 2009

Recomendações médicas

Minha mãe vive dizendo que to anêmica. Me dá Ferro então, ué!!! Tiziano Ferro

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As coisas como são ...


Eu que sonhava em ser a Smurffety (lindinha, loirinha e rodeada de homens) acabei virando o Gargamel (velho, sozinho e com um gato como companhia)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Meus medos...

Tenho medo da solidão.
Medo de barata.
Medo do Renew não dar conta do recado.
Medo de precisar de Viagra para que dêem conta do recado.
Medo da gripe dos porcos.
Medo da solidão.
Medo de filme de terror.
Medo de montanha russa.
Medo de ficar desempregada.
Medo da solidão.
Medo de não ver mais quem tá longe.
Medo de ficar para sempre longe de quem eu gosto.
Medo de não ter tempo de ler os livros que quero ler.
Medo de não acordar.
Medo de não querer acordar.
Medo da solidão.
Medo que me julguem errado.
Medo de perder o ônibus.
Medo de chegar atrasada.
Medo de não ter grana para pagar as contas.
Medo da solidão.
Medo das roupas não servirem.
Medo de não poder fazer nada.
Medo de ter que fazer tudo.
Medo de ser mal tratada.
Medo de não ser tratada de modo algum.
Medo da solidão.



...e de barata.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Medos


Que saudades que eu tenho da época de que a coisa que me dava mais medo era a zebrinha que botava a linguinha de fora para anunciar a loteria esportiva.
Assim que eu me recuperar de alguns medos, volto aqui para falar deles.
Beijos

sábado, 1 de agosto de 2009

Meu nome é orgasmo. Muito prazer!

Então. Descobri que ontem foi o dia Internacional do orgasmo. Não que necessite de um dia para sentir prazer. Isso é bem vindo todos os dias, mas já que escolheram essa data, vamos falar dele. Porque é falando que a gente encontra. É o primeiro passo. Eu só fui conhece-lo após uma palestra com a Laura Muller, onde sem meias palavras ela disse que quando estamos mal humoradas, cansadas, sem ânimo, esgotadas, estressadas, o melhor remédio é um orgasmo. E desafiou a mulherada que nunca tinha sentido prazer (acredite, algumas nunca gozaram na vida) a “se descobrirem”, primeiro um autoconhecimento. Depois a dois. Lá fui eu, aceitando o desafio, aos vinte e dois anos, já mãe, fazer um tour que me fez assinar embaixo o que a sexóloga falou.

Os homens chegam a o atingir em até dois minutos e isso tem fácil explicação biológica: quando excitados o sangue flui para os órgão sexuais e promove uma vaso-congestão, ou seja, vai direto para o “garoto”. Já a mulher precisa de pelo menos doze minutos para “chegar lá”, pois a vaso-congestão tem que passar pela vulva, pequenos lábios, vagina útero e assoalho pélvico. Para irrigar toda essa área, necessitamos das preliminares, que não é frescura, como alguns apressadinhos pensam . E isso é só o fator biológico.
Na vida corrida da gente, trabalho, filhos, casa, e várias bagagens repressoras (religião, cultura, sociedade, padrões de estética e beleza) muitas vezes não há espaço para o prazer. Mas isso é um direito nosso. Então lutemos por ele.
É importante lembrar que em muitos países o prazer feminino é proibido, e em muitas vezes nada tem a ver com religião e sim com puro machismo. Nesses países (maioria da África e Ásia) algumas mulheres são mutiladas de forma desumana. Ocorre a amputação do clitóris de modo que esta não possa desfrutar do prazer durante o ato sexual. A remoção é por muitas vezes feita com instrumentos de corte inadequados (se é que existe instrumento de corte de clitóris adequado), sem anestesia, e sem o mínimo de higiene.
Voltando a falar do orgasmo, a sua definição não é fácil de fazer, assim como nas primeiras vezes que o sentimos não é fácil de indentificar, pois ficamos "fora do ar" por um curto espaço de tempo e não há "provas físicas", pois não há ejaculação (aí entra o fato de algumas mulheres fingirem. Tsc-tsc). É uma tensão prazerosa e crescente das estruturas vaginais, contrações rítmicas involuntárias e muitas vezes vêm acompanhadas por uma perda rápida do controle dos sentidos, uma espécie de desligamento do ambiente, seguido por um total relaxamento dos músculos do corpo todo e bem-estar. O que proporciona um sono dos deuses depois, uma noite completamente reparadora (ou manhã, ou tarde...ou manhã-tarde-noite...rs). Sendo assim vale muito mais a pena dar umazinha bem dada depois de um dia cansativo e estressante e depois ir dormir que ir dormir direto.
O Dr. Freud classificou em dois tipos o orgasmo feminino: o imaturo (pelo estímulo do clitóris) e o maduro (vaginal, segundo ele o ideal, mas sinceramente não sei como ele, sem vagina e sem clitóris, pode ter chegado a esta conclusão).
Muitas mulheres passam a vida se torturando tentando se excitar apenas com a penetração e não conseguem sentir nada.
Podemos então fazer uma analogia simples: em um excitante jogo de vídeogame, onde a pontuação é convertida em prazer, temos um poderoso joystick ao alcance, onde há um botãozinho que estimulado na hora certa, faz com que ganhemos vários pontos.
Então, meninas, apertem o “botão do prazer”, relaxem, desliguem-se das contas, dos problemas, das gordurinhas localizadas, do peito que já não aponta para o horizonte e prepare-se para ganhar o game! Ao lado do seu amor então, não haverá perdedores.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sábias palavras


Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar? Amar e esquecer, amar e malamar, Amar, desamar, amar? Sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, Sozinho, em rotação universal, senão Rodar também, e amar? Amar o que o mar traz à praia, O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, O que é entrega ou adoração expectante, E amar o inóspito, o áspero, Um vaso sem flor, um chão de ferro, E o peito inerte, e a rua vista em sonho, E uma ave de rapina. Este o nosso destino: Amor sem conta, Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, Doação ilimitada a uma completa ingratidão, E na concha vazia do amor à procura medrosa, Paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, E na secura nossa, amar a água implícita, E o beijo tácito, e a sede infinita.(Carlos Drummond de Andrade)